|
Eu li muitos poemas de Colagem
antes do livro ser publicado. E eles já me impressionavam não só pela qualidade, mas
também pela diversidade de estilos empregada por Frederico. Das imagens fotográficas de Xerófitas,
passando pelo surrealismo de Botação, a preocupação social de Levante
e o regionalismo de Assombração e Belém. Mas, na
minha opinião, a poesia de Frederico atinge seus pontos mais altos nos poemas que falam
de amor, da dor, da paixão, da melancolia e da solidão. A noite é um cenário quase que
constante nestes poemas (Noite, Depois do Temporal, Insônia,
Elegia Desesperada ..., Noturno), e é neste cenário
familiar que Frederico, ainda adolescente, desfila com maestria seus versos mais
surpreendentes:
Eu possuía a chave do teu segredo
E estou morrendo por não tê-lo violado.
Agora que morro, quem irá protegê-lo?
Como estará ele assim, imaculado? |
Trecho de Mais um Poema de Amor |
Desligo o rádio, a orquestra se cala.
Não te quero mais. Silêncio absoluto.
O jazz se dilui na madrugada.
Finalmente, não sei se morro ou se durmo. |
Trecho de Noturno |
Poemas existem para serem lidos e relidos.
Às vezes numa segunda leitura, absorvemos um pouco mais de sua imagem, do seu ritmo, da
sua sonoridade. E o poema se transforma. Este é o objetivo desta edição online. Dar
oportunidade a todos de ler e reler seus poemas favoritos em Colagem.
Acomode-se na poltrona e viaje conosco...
Gerson Agena
São Paulo, 2001
|
|