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Publicado originalmente em 1987, Colagem é um livro de poemas. O objetivo desta edição online é relembrar os velhos tempos àqueles que estavam conosco ou apresentar a poesia de Frederico Favacho aos amigos que não tiveram a oportunidade de ler o original. smAutor.jpg (1654 bytes)
O autor
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Capa Original

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Cartas ...
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Colagem - poemas do primeiro ciclo

Introdução

O Convite
Dedicatória
Prefácio
Sobre o Autor
Cântico XI


Poemas

Xerófitas
Levante
Noite
Assombração
Belém
Circunferências...
Botação
Depois do...
Drummond, meu ...
Da Pedra
Et nunc, et semper
Credo Corpóreo
Insônia
Witchcraft
Paixão
O Repouso do...
Cupido e Psiquê
Saudade
A Proposta ...
A Resposta ...
Elegia...
Hai Kai
Mais Um Poema...
Noturno
Magna Vermis
Teu Primeiro
O Circo Capitalista
Comédia
Soneto Perdido
Basta!
Soneto Green...
Possessão
A Anunciação
Ainda a Saudade
Loucura
Espectros
Verbi Gratia
Delírios
Traições

MAIS UM POEMA DE AMOR

O veneno amarga a minha boca
E tem o nome de mulher.
O cheiro levemente adocicado lembra amêndoas
Podia ser cianeto, mas não é.

O licor letal corroe minha alma.
No rádio toca um bom jazz de Count Baise.
Minha paixão já me curou, hoje me mata.
Eu suo debaixo do cobertor que não me aquece.

O neon que atravessa a parede
Tinge de púrpura as minhas feridas
Eu tenho frio, tenho fome, tenho sede.
Se tivesse um instrumento o tocaria.

Tocaria para ela saber que venceu.
Tocaria para a noite, regurgitando meu sono.
Eu quero que todos saibam quem sou
O que quero, o que penso, quando morro.

O veneno já me entorpece o corpo.
Os apartamentos me devoram a inocência.
Quem sabe se eu gritasse por socorro?
Não! Mil vezes não! (Piedade gera mais violência)

Não pude te amar, não pude.
Mas, louco, gerei tuas crianças;
Tuas crias de olhos tristes e mãos rudes
Que me acariciam as entranhas.

Eu possuía a chave do teu segredo
E estou morrendo por não tê-lo violado.
Agora que morro, quem irá protegê-lo?
Como estará ele assim, imaculado?

 

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