INSÔNIA
"Sou o sonho de tua
esperança,
Tua febre que nunca descansa,
O delírio que te há de matar."
(Álvares de Azevedo) |
Minhas retinas estão cansadas
Do peso de tanto chorar.
Reclamam urgente o descanso do sono,
Mas qual, se ao deitar-me ainda vejo o teu rosto!
Parece, então que a cama em que me deito
Transforma-se em sutil armadilha
Que me aperta com vigor o peito
E projeta tuas imagens na minha retina.
Conserva-me, assim, meio doente, meio maluco,
Perdido em não sei qual estrada,
Que nunca, nunca muda seu curso
E, que ao findar, não vai dar em nada.
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