ESPECTROS
Essas múltiplas figuras
Transitando pelos quartos
Onde, nuas, dormem as meninas
Vieram roubar-lhes o sono.
E são fantasmas invocados
Pelos sonhos obscenos dessas garotas
Que enquanto se banham, os seios
Vão tocando. Os bicos. As bocas.
Imaginando-se possuídas
Assumindo diversas formas
Se fantasiam de animais
Cortesãs, escravas e senhoras.
São amantes de todos os homens
Por nunca amarem a nenhum deles.
São combustível que arde e se consome
E, no entanto, sempre volta a incediar-se.
E quando, enfim, à noite lhes visitam os fantasmas.
Elas os rejeitam expulsando-os de suas camas.
Recolhem-se uma às outras, assustadas
Trocando beijos no desespero de quem ama.
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