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Publicado originalmente em 1987, Colagem é um livro de poemas. O objetivo desta edição online é relembrar os velhos tempos àqueles que estavam conosco ou apresentar a poesia de Frederico Favacho aos amigos que não tiveram a oportunidade de ler o original. smAutor.jpg (1654 bytes)
O autor
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Capa Original

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Cartas ...
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Colagem - poemas do primeiro ciclo

Introdução

O Convite
Dedicatória
Prefácio
Sobre o Autor
Cântico XI


Poemas

Xerófitas
Levante
Noite
Assombração
Belém
Circunferências...
Botação
Depois do...
Drummond, meu ...
Da Pedra
Et nunc, et semper
Credo Corpóreo
Insônia
Witchcraft
Paixão
O Repouso do...
Cupido e Psiquê
Saudade
A Proposta ...
A Resposta ...
Elegia...
Hai Kai
Mais Um Poema...
Noturno
Magna Vermis
Teu Primeiro
O Circo Capitalista
Comédia
Soneto Perdido
Basta!
Soneto Green...
Possessão
A Anunciação
Ainda a Saudade
Loucura
Espectros
Verbi Gratia
Delírios
Traições

ELEGIA DESESPERADA NO MEIO DA NOITE

Senhor, a hora é esta,
A noite é densa
E a alma está com frio.
Os cobertores não me aquecem e fico
A tremer quando deveria crer.
As sombras estão em silêncio.
Censuram-me e calam-se para sempre.
A hora é esta. O peito vazio.
A fé me abandonou, senhor.
A mulher dorme ao meu lado.
Seu corpo é quente, o sono leve/pesado.
Não sabe donde venho, para onde vou.
Senhor enquanto a cidade atéia dorme
Meu coração pulsa descompassado e triste.
Enquanto o monstro dorme sossegado
Eu me pergunto por que Ele foi crucificado,
Quantas cruzes já foram erguidas,
Onde estão as pessoas que as ergueram
Para logo em seguida
Nos venderem ícones, indulgências, relicários.
Dái-me forças, senhor; fazei-me forte.
Sê o olho que me assiste.
A noite é esta e a hora é curta.
Quanto menos se espera, vem o Sol e vai-se a Lua.
A luz do dia é a isca
Que atrai teus homens para tua armadilha.
A cidade-dos-homens é um grande engodo.
Quem olha por mim enquanto trabalho nas minas ?
Quem vai olhar pelos meus quando apagarem-me a lamparina ?
Senhor, comunhão suor-cerveja;
Eu beijo as costas da amada com a fé que tenho,
A minha igreja dorme, pacífica, ao meu lado.
E eis-me aqui, vivendo a vida.
O corpo ri, a alma fica.
Lá fora a madrugada, atordoada e nua,
Aqui o hálito doce e quente da mulher que amo.
A noite passa com ligeireza...

 

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