DRUMMOND, MEU VELHO, EU QUERO SER
POETA
(Profissão de Fé)
Drummond, Drummond,
Não há rimas,
Não há solução,
Há apenas, um anjo torto,
Desses que andam na sombra,
Aporrinhando a vida da gente.
Das memórias nem se diga
Há um oleiro, mas
Não há suficiente barro.
Quem abriu as comportas da represa
Não contava com o leito seco do rio.
Não há rimas,
Não há solução
Na vida retina das minhas cansadas.
Carlos,
Se me permite assim chamá-lo,
Não há rima.
Não há soluções
Nos meus versos translúcidos
De água de chuva.
Há cinco sentidos que me limitam
Ser Humano.
Há um grande amor à minha espreita
E, dono da verdade e compensação
Se me apresenta como o caminho
Talhado no meio da pedra.
Eu não queria dizer,
Mas um toque em bem feitos seios,
Uma palavra de carinho de pessoa certa,
Botam a gente comovido como o diabo.
Não há rima.
Não há solução.
Há 95% de inspiração.
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