Introdução
O Convite
Dedicatória
Prefácio
Sobre o Autor
Cântico XI
Poemas
Xerófitas
Levante
Noite
Assombração
Belém
Circunferências...
Botação
Depois do...
Drummond, meu ...
Da Pedra
Et nunc, et semper
Credo Corpóreo
Insônia
Witchcraft
Paixão
O Repouso do...
Cupido e Psiquê
Saudade
A Proposta ...
A Resposta ...
Elegia...
Hai Kai
Mais Um Poema...
Noturno
Magna Vermis
Teu Primeiro
O Circo Capitalista
Comédia
Soneto Perdido
Basta!
Soneto Green...
Possessão
A Anunciação
Ainda a Saudade
Loucura
Espectros
Verbi Gratia
Delírios
Traições |
DELÍRIOS
Um coro de anjos negros que cantarolam
Do alto da cabeça de um alfinete
"When the saints go marchin'in" e os sacramentos
em "negro espiritual". Os pedestres seguem em frente.
Do outro lado da rua, do lado escuro
Os querubins barrocos, de cabelos encaracolados e loiros
Viajam ao som de Pink Floyd, Rolling Stones e barbitúricos
E vê-se claro o êxtase em seus gordos rostos.
Feiticeiras e escolásticas jantam juntas
Sentadas à mesma mesa à luz de candieiros.
Feitores, déspotas e coletores de impostos infectam as ruas.
Todos correm riscos e os tolos morrem primeiro.
As rodas dos carros giram o mundo.
Dissimulam-se na fumaça das fábricas
Os vultos que, com pressa de chegarem ao fim do turno,
Vão construindo estradas sobre estradas.
Eu estou constipado e por isso escrevo.
Todos têm suas fobias, também as tenho.
Vivemos todos por e para nossos medos
Deitados juntos num ataúde forrado com solo estrangeiro.
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