CUPIDO E PSIQUÊ
Pode me procurar no teu inferno particular
Entre as luzes que te cegam e te impedem de ver
Os corpos que se acumulam na praia e no mar
E que ao te verem passar se arrastam atrás de você.
Pode me procurar entre os teus satélites desabitados
Ou entre as tuas luas condenadas à eterna atividade vulcânica.
Ou se te dispuseres a ouvir o silêncio do vácuo
Ouvirás as evidências que meu corpo emana.
Se ainda tiveres fôlego, quem sabe me encontre nos bares
Bebendo entre bárbaros, brindando às invasões
Mas te aviso que estarei com a boca amarga de tantos lugares
De tantos amores, de tantas batalhas, chuvas, furacões.
Mas condena-te a ti mesma por teres me tirado a máscara,
Por teres desconfiado e acendido a lamparina.
Nosso destino está nos nossos braços, minha cara.
Mesmo que a braçada seja a mais ínfima.
Procura-me, portanto, nos teus sonhos ou desencantos.
Procura-me por todo o teu corpo, jovem, velho, são, doente
Procura-me desesperadamente entre as mulheres nas ruas se vendendo
E no fim, prepara-te para dormir comigo eternamente.
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