Introdução
O Convite
Dedicatória
Prefácio
Sobre o Autor
Cântico XI
Poemas
Xerófitas
Levante
Noite
Assombração
Belém
Circunferências...
Botação
Depois do...
Drummond, meu ...
Da Pedra
Et nunc, et semper
Credo Corpóreo
Insônia
Witchcraft
Paixão
O Repouso do...
Cupido e Psiquê
Saudade
A Proposta ...
A Resposta ...
Elegia...
Hai Kai
Mais Um Poema...
Noturno
Magna Vermis
Teu Primeiro
O Circo Capitalista
Comédia
Soneto Perdido
Basta!
Soneto Green...
Possessão
A Anunciação
Ainda a Saudade
Loucura
Espectros
Verbi Gratia
Delírios
Traições |
A ANUNCIAÇÃO
QUANDO ele chegou
Entrou no casebre sem bater na porta.
Tinha os olhos cansados e barba por fazer.
Olhou-a e seu olhar havia um quê de cão fiel.
Ele lhe falou, então:
-Eu te saúdo, Maria.
Bendita sois entre as mulheres.
Bendito é o fruto do vosso ventre.
Depois tocou-lhe as faces e beijou-lhe a boca.
Tinha lágrimas nos olhos e hálito de cigarro.
Virou-se e foi embora, consternado.
ELA ficou sozinha, com toda a solidão do mundo.
Infeliz demais na sua felicidade.
Sentia o peso da vida nos seus ombros e barriga.
Há muito não sangrava e já estava desconfiada
Do seu estado. Agora seu coração sangrava
Feito uma hemorragia, antecipando
Toda a dor que ainda viria.
Sentou-se num banquinho, na cozinha
Chorando e praguejando entre soluços.
JOSÉ a encontrou mais calma
Os olhos fitando algo que só ela via
E dizendo, quase sussurrando:
-Bendita...
Bendita?
Bendita...
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